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ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS ENGORDAM MAIS!

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Alimentos ultraprocessados são produzidos com a adição de muitos ingredientes como sal, açúcar, óleos, gorduras, proteínas de soja, do leite, extratos de carne, além de substâncias sintetizadas em laboratório a partir de alimentos e de outras fontes orgânicas como petróleo e carvão. Assim, tais alimentos têm prazo de validade maior, alteração de cor, sabor, aroma e textura. São exemplos de ultraprocessados: biscoitos recheados, salgadinhos “de pacote”, refrigerantes e macarrão “instantâneo”. Em maio de 2019, foi divulgado pelo site da associação brasileira para estudo da obesidade e da síndrome metabólica, um estudo publicado na revista Cell Metabolism, embora pequeno, associou o consumo de alimentos ultraprocessados ao aumento na prevalência da obesidade. Na verdade, não é de hoje que a mudança nos padrões alimentares, privilegiando esses itens, tem sido relacionada ao excesso de peso. Mas, até o momento, os cientistas não tinham demonstrado se o consumo cada vez maior de alimentos ultraprocessados, por si só, estava relacionado à elevação do IMC ou apenas favoreceriam as comorbidades da obesidade, por conterem quantidades exageradas de sódio e de outros nutrientes.

Pesquisadores dos National Institutes of Health, liderados pelo fisiologista Kevin Hall, do National Institute of Diabetes and Digestion and Kidney Diseases, nos Estados Unidos, dividiram em dois grupos 20 adultos saudáveis, com idade média de 31,2 anos. Metade seguiu por duas semanas uma dieta repleta de alimentos ultraprocessados enquanto a outra metade consumiu pratos preparados com ingredientes minimamente processados. Passados os 15 dias, os grupos foram invertidos — quem consumiu preparações caseiras passou a comer por outras duas semanas apenas alimentos ultraprocessados e vice-versa.

Independentemente de variação no conceito das duas dietas, o número de refeições e o tamanho das porções eram iguais. A quantidade de sódio, açúcares, proteínas, carboidratos, gorduras também eram iguais. Mais um detalhe: todos os indivíduos que participaram consumiram só água como bebida ao longo do dia. 

O achado é que, de fato, as pessoas acabam comendo mais e, consequentemente, consumindo mais calorias por dia — precisamente 508 calorias a mais, em média — quando estão diante de alimentos ultraprocessados. Esses alimentos levam as pessoas a comerem em excesso, o que ainda não conseguimos explicar. Elas também mastigavam mais depressa inclusive itens mais sólidos e crocrantes e, no final, quando dosaram hormônios ligados à saciedade, eles estavam mais baixos em relação ao grupo da dieta caseira. No final do estudo, os participantes ganharam 0,9 quilo em média na temporada à base de ultraprocessados.

Fonte: Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica http://www.abeso.org.br/

Autor

Dra Sheyla Santos Quelle Alonso

Dra Sheyla Santos Quelle Alonso

Endocrinologista

Especialização em Endocrinologia E Metabolismo no(a) Hospital Evangélico.